sexta-feira, 27 de novembro de 2009

ExtrAbismo

Como lhe dizer da buchinha amarelinha que na frente do cemitério encontrava o tornozelo do Narciso?  Que  toma banho por vaidade na frente do Cemitério do Santíssimo Sacramento. Ele podia ser branco se ele não fosse preto e não precisasse tomar banho naquele lugar. Tem um balde ao seu lado, e um pouquinho de água que ele roubou das flores que enfeitam aquela Consolação toda, os olhos dele parecem que vão  cair, mas só não caem porque são eles que o mantém de pé, quase alto, se não fosse uma perna mais curta.  Ele riu um pouco e lavou os pés. Lavei meu pés também. Narciso pegou a buchinha amarelinha e passou no rosto, fez um desenho com a espuma, lembrava o Mickey Mouse, pensei que tava delirando, mas como  dizer? E como não dizer? Então eu disse gritando da janela do ônibus: Esta noite eu conheci um menino, que só ele podia ser homem daquele jeito, ele tinha muito pelo no peito, uma voz permanente, umas canelas finas, cheiro de leite de peito, que sentia prazer exagerado ao falar de coisas extraterrestres, a pele dele era quente, sua boca doce, um açúcar necessário, olhos míopes, cabelo semi-liso, semi- crespo, eu semeando a minha mãe, queria fazer costela pra ele, não ser a costela dele, num sei, eu gosto um pouco demais dele, e acabei me entregando ao cubo de mim, pra ele. Tive medo. Mas agora já tomei café com ele. Ele me chamou pra ir pro Rio de Janeiro. Ele é feiticeiro, só poder ser, eu já cresci alguns centímetros depois que eu conheci ele, olha que eu  já tenho 23 anos, ele não sabe a idade dele, só o signo, ele gosta de semiótica. Eu sou estrábica. O Ônibus disparou.

- Tchau Narciso, espero revê-lo. Narciso me disse:


-Não se esqueça de ver o Mickey Mouse.


Este texto faz parte do 4º livreto de uma coleção poética escrita e criada por Ana Paula dos Santos Risos

terça-feira, 10 de novembro de 2009

A Informal no Espaço Clariô



A INFORMAL
Temporada: de 15 a 29/11
Domingos as 19:30hs
Pague quanto vale ou quanto pode!